Os alunos do Parlamento Jovem Minas Uberlândia 2026 assistiram, na tarde desta quarta-feira (13), ao filme “Hoje eu quero voltar sozinho”, numa sessão especial transmitida pela Escola do Legislativo na sala Pedro Gustin. A programação atende a uma lista de filmes e séries indicados pela equipe do Polo Triângulo, que estão inseridos no contexto do tema central de discussão do programa neste ano, que é “Inclusão da pessoa com deficiência e neurodivergência”.
Antes da sessão, os estudantes foram recepcionados com lanche e pipoca pelas assessora e coordenadora da Escola, Kênia de Rezende e Thaíz Pereira, respectivamente.
A escolha do filme foi feita por enquete no grupo de whatsapp da Escola com os alunos do PJ. Dentre três opções, os participantes optaram por assistir ao curta metragem brasileiro que conta a história de Leonardo, um adolescente cego “que tenta lidar com a mãe superprotetora, ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade, A história acompanha Leonardo, um adolescente cego que, com a chegada de Gabriel, um novo aluno, vê sua rotina mudar e descobre o amor, lidando também com os ciúmes da amiga Giovana”.*
A crítica observa que o filme aplica a história universal do primeiro beijo a características particulares da deficiência e da homossexualidade. Um dos grandes méritos do filme, para a crítica, é tratar particularidades do protagonista, com duplo tabu de ser cego e gay, como trataria as especificidades físicas (ser ruivo, obeso, órgão, disléxico) e de temperamento (tímido, por exemplo) de qualquer adolescente.
A exibição do filme
O filme teve duração de pouco mais de uma hora e meia. Durante a exibição, os estudantes manifestaram emoções com feições de surpresa, manifestações de aprovação e desaprovação - mediante o tratamento que o protagonista Leonardo recebia das pessoas, amigos e dos pais, se de limitação ou expressão de capacitismo, ou de igualdade e compreensão - e comentários entre si.
Ao final da exibição, Kênia de Rezende e Thaíz Pereira abriram um pequeno debate sobre os acontecimentos e ações do filme e os alunos opinaram bastante. Falaram:
sobre o aspecto capacitista quando a mãe rejeitou, por completo, a vontade do protagonista Leonardo em fazer um intercâmbio, julgando-o incapaz de “se virar sozinho”, uma vez que era cego;
sobre a falta de confiança de “fazer as coisas” que Leonardo sentia e isso era oriundo do preconceito dos próprios pais e do comportamento de “superprotetora” da mãe, ao querer leva-lo a todos os lugares;
sobre a falta de inclusão, uma vez que um ator cego poderia representar o Leonardo, e não um ator sem deficiência visual, como é o caso do ator Ghilherme Lobo;
sobre a falta de habilidade da professora em lidar com as questões que envolvem a deficiência em sala de aula, como o barulho gerado pelo teclado em braille (Braille Display) e o tumulto que situações como essa gera entre os alunos;
sobre a forma de falar, o que pode “podar” sonhos e desejos das pessoas com deficiência e neurodivergência;
sobre a importância de perguntar como a pessoa com deficiência se sente, a exemplo do pai do personagem Leonardo;
acerca da limitação em se viver um romance, pelo fato de ser cego;
sobre a importância de tratar as pessoas com deficiência e neurodivergência de forma natural, sem distinção, como se conversa e trata todas as pessoas;
- sobre “não enxergar apenas a deficiência das pessoas, pois isso gera mais estigmas e acaba por afastar, ainda mais, as pessoas”.
O próximo encontro do Parlamento Jovem está previsto para a próxima quarta-feira, dia 20, às 14h30, com a ideia de se trazer um convidado com algum tipo de deficiência, ou neurodivergência, para que possa falar sobre as experiências vividas dentro do contexto do tema central e dos subtemas do programa.
*Informação retirada do site ‘Adoro cinema’
Fonte: Departamento de Comunicação (Emiliza Didier)