O juiz da Vara da Violência Doméstica, Roberto Bertoldo, compareceu ao Legislativo durante a 7ª reunião ordinária de dezembro no dia 12, para apresentar palestra sobre o tema que ele considera necessário, urgente, ético e justo, sobretudo diante da realidade em Uberlândia que não muda e 5 casos de violência doméstica são registrados diariamente, fora os não denunciados. Roberto Bertoldo afirma que é preciso proteger as mulheres, ampará-las porque a violência contra a mulher atinge a todos e a todas, não apenas a vítima e o agressor; é um problema social que precisa ser enfrentado por toda sociedade.
Ser enfrentado pelo Poder Executivo, disse Roberto Bertoldo, que precisa estabelecer políticas públicas direcionadas às mulheres; pelo Poder Legislativo criando leis que estabeleçam mecanismos de proteção e amparo, pelo Poder Judiciário que não atrase a aplicação de medidas protetivas e, os vizinhos que se silenciam diante da violência, infelizmente a sociedade nada faz e não pode ser assim. Segundo Roberto Bertoldo, 4 mulheres são mortas diariamente no Brasil vítimas de violência doméstica, culpa de todos que se calam; 2 mil crianças são abrigadas por ano por conta de feminicídio, já nascem com traumas.
As mulheres não são capazes de salvar os maridos violentos, disse Roberto Bertoldo, ninguém salva ninguém mesmo que permaneçam em relacionamentos abusivos até serem mortas. Sim, há vários condenados presos que se dizem arrependidos mas para cada um há uma mulher enterrada em algum cemitério e foram mortas apenas por serem mulheres, considera Roberto Bertoldo; que lembrou que durante uma palestra em escola uma criança de 6 anos falou a ele que seu pai havia batido em sua mãe no dia anterior, e o que fazer? É preciso colocar disciplina na grade escolar sobre o tema, capacitar professores e diretores para lidarem com o assunto e levarem os casos adiante, sugere Roberto Bertoldo.
As meninas precisam tomar coragem para denunciar e os professores construírem um fluxo de atendimento junto com as redes de proteção instaladas e não se calarem sobre a violência doméstica e sexual dentro dos lares, sugere Roberto Bertoldo. Na Vara da Violência Doméstica, informou Roberto Bertoldo, tramitam 8 mil processos quando o número real deve ser mais próximo de 20 mil casos mas não chegam ao Judiciário; a vítima convive com o agressor e os filhos são envolvidos. É preciso acabar com a violência doméstica, a mulher deve ser prioridade absoluta mas a sociedade machista, avalia Roberto Bertoldo, ainda não está disposta a estar nessa luta e, deu como exemplo o caso em Uberlândia em que a Secretaria de Desenvolvimento Social lançou um selo contra a violência doméstica para ser colocado nos bares mas nenhum bar aderiu; o dono do bar e os clientes também são agressores ou acham normal a agressão contra a mulher.
Campanhas publicitárias devem ser levadas aos locais públicos, propõe Roberto Bertoldo, “Matar Mulher é Crime”, “Não se Bate em Mulher”, mensagens que deveriam estar em faixas no Parque do Sabiá, no Camaru, nos campos de futebol e espaços de grande circulação de pessoas. Pediu aos vereadores que apresentassem projeto que objetive o passe livre no transporte público de Uberlândia para as mulheres vítimas de violência doméstica, porque as mulheres vítimas não têm dinheiro para comparecer ao Judiciário, à Delegacia de Polícia, bem como é urgente que a cidade implante o auxílio aluguel para as vítimas, fortalecer o CRESS e o CRASS, ter uma Delegacia da Mulher que funcione todos os dias 24 horas, solidificar a Patrulha da Violência Doméstica da Polícia Militar, implantar a Guarda Municipal e implantação o mais rápido possível do Complexo Iracema Marques. Concluindo, Roberto Bertoldo considera que a sociedade está falida, que ela fracassou quando as famílias são destruídas pela violência doméstica e, que proteger a mulher é proteger o futuro.
A ex-vereadora e professora Cláudia Guerra também falou sobre o tema e pediu a imediata reativação do Conselho Municipal das Mulheres (Projeto de Lei tramitando no Legislativo) para fiscalizar e fomentar as políticas públicas voltadas para as mulheres e recomendou que a Vara da Violência Doméstica tenha vaga no Conselho, como também a Polícia Militar, a Casa Abrigo Travessia e uma entidade da sociedade civil destinada ao atendimento às mulheres. Cláudia Guerra também cobrou a ampliação da equipe da Delegacia das Mulheres que está com equipe reduzida e compromete o acesso das mulheres em busca de proteção.
Eithel Lobianco Junior
Jornalista cMU – 8186
Seção de Jornalismo