A Escola do Legislativo recebeu, na tarde desta quarta-feira (25), os coordenadores do Polo Triângulo do Parlamento Jovem Minas (PJ), Marcos Fernandes e Thais Carvalho, que vieram do município de Nova Ponte (MG) para conhecer os alunos de Uberlândia e realizar oficinas e dinâmicas de interação e aprofundamento do tema central do programa neste ano, que é “Inclusão da Pessoa com Deficiência e com Neurodivergência”. A visita atende a um trabalho de suporte oferecido pela coordenação regional e visa estimular o compromisso dos participantes com as atividades e com a elaboração de propostas de lei do tema em questão, que é o objetivo final do projeto.
Os coordenadores foram recebidos pela equipe da Escola do Legislativo. Na abertura das atividades, a diretora da Escola, Rita Virgínia Gonçalves, pontuou que esse é o segundo encontro do PJ neste ano e que o programa em Uberlândia “já ganhou voz e protagonismo através dos alunos”. Ela também lembrou que o PJ oferece um lugar de participação, por meio do qual os alunos compartilham ideias sobre o tema em debate e contribuem para uma melhor qualidade de vida das pessoas. A expectativa, para a diretora, é que os debates com a temática deste ano convirjam para o sentimento de empatia e respeito na busca por uma sociedade mais justa para as pessoas com deficiência e neurodivergentes.
O encontro contou com a participação especial das duas intérpretes da Língua Brasileira de Sinais - Libra - da Câmara de Uberlândia, Daiane Mendonça e Giovana Damasceno, que fizeram a tradução das explicações desta tarde na linguagem dos surdos e mudos, oportunizando uma experiência real de inclusão para os jovens participantes.
Oficinas e dinâmicas
Foram realizadas três dinâmicas nesta tarde. A primeira foi uma oficina e os alunos foram à frente, se apresentaram e falaram o que gostavam de fazer. O objetivo da atividade, segundo o coordenador do Polo Triângulo do PJ Minas, Marcos Fernandes, foi mostrar a diversidade, uma vez que cada aluno mostrou peculiaridades na forma de viver e perceber como a sociedade foi formatada de modo convencional, para atender pessoas “típicas”. As atípicas, como explicou, seriam as pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, que até hoje encontram empecilhos e dificuldades para se desenvolverem devido à falta de acessibilidade.
Para Fernandes, é nesse contexto que os jovens do PJ devem tratar a questão da inclusão e as implicações que a falta dela ocasiona, como o desencadeamento da violência, via, por exemplo, pela prática do bullying. “A sociedade não é inclusiva, e dentro do projeto vocês vão propor propostas de lei (sobre essa temática) para Uberlândia, para a região e para o estado”, adiantou o coordenador.
Na segunda dinâmica, Marcos Fernandes uniu os alunos em trio, com a prerrogativa de não se conhecerem, para trabalhar a inclusão entre eles. Cada grupo escolheu um tipo de deficiência ou neurodivergência e falou sobre as dificuldades que percebiam nas pessoas com esses diagnósticos.
Para o caso de pessoas com deficiência auditiva, o grupo pontuou a falta de sinais nas escolas e a falta de recursos eficientes para se comunicar com pessoas com perda auditiva. Durante a abordagem, foi discutida a necessidade de munir as escolas com intérprete de línguas.
No caso das pessoas com autismo, os alunos relataram percepções como a dificuldade de verbalização, de interação, sensibilidade auditiva, a dificuldade de diagnóstico, a hipersensibilidade ao toque, à alimentação e o fato de alguns espaços inclusivos não serem inclusivos para as pessoas com autismo. Quanto à questão da inclusão, o grupo que falou sobre as pessoas autismo relataram ainda que a falta de informação leva a sociedade a criar estereótipos acerca das pessoas com essa condição.
Os grupos ainda falaram sobre as pessoas com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, o TDHA, e o estereótipo negativo que as meninas sofrem por serem tratadas como pessoas agitadas e nervosas; as pessoas com deficiência física, que ficam sem acessibilidade nos banheiros das escolas e sem poder se locomover devido a falta de rampas adequadas; a bipolaridade, um transtorno apontado pelos alunos como de difícil identificação e condução nos casos de crise; a esquizofrenia, que lida com um vácuo na abordagem escolar; e a deficiência visual, tida pelo grupo como um tipo de deficiência mais perceptível que sofre com a falta de acessibilidade pela escrita em braile, calçadas irregulares e em desnível, dentre outros.
Os alunos ainda assistiram a um vídeo sobre capacitismo, pelo qual aprenderam o significado e viram exemplos na prática das pessoas com deficiência e neurodivergência que sofrem com esse preconceito: o de achar que são incapazes, intelectualmente e fisicamente, de exercerem autonomia e, por isso, são privados de oportunidades e de exercerem uma atividade profissional. Esse preconceito e discriminação é revelado em falas, atitudes cotidianas, na exclusão social e barreiras arquitetônicas.
O coordenador Marcos Fernandes citou exemplos de concursos públicos que, na prática, destinam cotas para pessoas com deficiência, mas não aplicam a inclusão em suas provas, o que acaba por desqualificar candidatos a essas vagas. Com isso, ele deu oportunidade para os alunos exemplificarem expressões e atitudes na sociedade que configuram o capacitismo, formas de mudar a cultura do capacitismo e encorajou os alunos a defenderem a causa das pessoas com deficiência e neurodivergentes nas propostas de Lei que devem elaborar no decorrer desse primeiro semestre.
Ao fim do encontro, a assessora da Escola do Legislativo informou os alunos sobre a data do novo encontro do PJ Uberlândia, a acontecer no próximo dia 08 de abril, e pediu que estudassem o material com o texto base deste ano para se prepararem para as próximas palestras.
Fonte: Departamento de Comunicação (Emiliza Didier)