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Jovens do PJ aprendem sobre conceitos, reconhecimento e evolução da qualidade de vida da pessoa com deficiência

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Jovens do PJ aprendem sobre conceitos, reconhecimento e evolução da qualidade de vida da pessoa com deficiência
Foto: Aline Rezende (CMU)

A Escola do Legislativo recebeu, na tarde desta quarta-feira (22), o diretor de Acessibilidade e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de Uberlândia, Idari Alves, que palestrou para os alunos do Parlamento Jovem Minas (PJ-Minas) aspectos relativos ao tema central do programa de 2026, que é “Inclusão da Pessoa com Deficiência e Neurodivergência”. Questões como a terminologia correta admitida ao longo dos anos, diversidade, cidadania, inclusão, ética, foram tópicos elencados e trabalhados com os alunos nesta tarde, que já soma o 5º encontro do PJ neste ano.

O encontro foi aberto pela diretora da Escola, Rita Virgínia, que destacou a capacidade de aprendizado e escuta que o PJ oferece aos alunos do ensino médio e a abordagem com profundidade do tema “que é essencial para a sociedade que queremos construir”. Ela também evidenciou a “trajetória inspiradora” de Idari Alves e defendeu a inclusão como direito, na prática diária, a fim de “enxergar e construir oportunidades para todas as pessoas”.

Com os alunos, Idari Alves falou sobre a trajetória acadêmica. Formado em História pela UFU, ele contou que desde 1981 trabalha sobre a temática da cidadania para a pessoa com deficiência, uma luta que hoje traz uma qualidade de vida melhor para esse grupo. Ele também é membro fundador do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, onde ali são apresentadas as demandas relativas à política da pessoa com deficiência, como a falta de acessibilidade, a perda de benefícios (Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social - BPC/LOAS), ocorrências de discriminação e preconceito sofridos no meio da coletividade, dentre outros.

Como historiador, Alves abordou as terminologias antigas, como pessoa portadora de deficiência e pessoa portadora de necessidade especial, para falar como essas nomenclaturas não expressavam a realidade, uma vez, por exemplo, que a necessidade é algo que se acaba. Com a nova terminologia adotada pela ONU em 2006, segundo Idari, mostrou a pessoa com uma característica que pode ser diferenciada assim como demais outras peculiaridades, como a cor do cabelo, a cor da pele. “Primeiro a pessoa, depois o quê a caracteriza e isso não nos coloca em uma condição de desigualdade em relação a outra pessoa”, afirmou.

Outros conceitos ensinados

Os alunos aprenderam nesta tarde conceitos como diversidade, que segundo o diretor de Acessibilidade e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de Uberlândia, Idari Alves, é uma expressão do reconhecimento de que a sociedade é composta por pessoas diferentes.

Outros termos relacionados à temática da pessoa com deficiência foram:

A diferença, com uma abordagem para tornar todos iguais;

A desigualdade, que leva a pessoas se sentirem mais importantes que outras a depender do grau de conhecimento acadêmico que possuem;

A acessibilidade, obtida dentro do direito de ir e vir estabelecido pela Constituição Federal de 1988. Um termo que, segundo Idari Alves, se diferencia da cidadania, da qual as pessoas com deficiência não eram consideradas cidadãs até 1981, uma vez que outra pessoa era quem deveria falar em lugar delas. A acessibilidade também, segundo Idari, é a condição que permite a todas as pessoas a terem acesso, permanência e uso a todos os bens, meios e tecnologias que existem. “Sem essa condição, não consegue ser cidadão”, explicou o diretor.

A inclusão, termo que tem como referência o mundo globalizado, “onde se encontram os que estão dentro e os que estão fora. Aquele que não se encaixa é excluído”. Idari explicou que quando se adota um modelo em que parte da sociedade fica fora do direito e da cidadania, não se tem, aí, uma nação inclusiva.

“É importante passar para a nova geração que o ser humano não nasce preconceituoso, ele não nasce machista, ele não nasce capacitista, tudo isso somos nós quem ensinamos as crianças a serem, então se agente começa trabalhar isso na criança para que ela não seja preconceituosa, não seja machista, não seja homofóbica, não seja capacitista, isso vai refletir na futura geração de um ser humano mais humano, porque nós não somos máquinas, a gente faz o que nos ensinam a fazer”, refletiu Alves.

Sobre a ética, abordou que o termo remete à filosofia da razão, que determina ao ser o que deve ou não ser feito. Talvez eu até possa fazer algo, mas não devo. Se eu prejudicar você, eu não devo fazer”.

O debate com os alunos

Ao final da palestra, foi aberto um momento para perguntas. Uma aluna questionou a condição de liberdade associada à acessibilidade e o porquê das pessoas com deficiência não serem livres e a resposta foi o modelo padrão da sociedade do qual todos podiam fazer uso e se beneficiar, mas não se encaixava no modelo real, no qual se encontra as pessoas com deficiência.

Outro questionamento foi sobre a mudança na sociedade a respeito do capacitismo. A resposta dada por Idari foi a de que, em seus 45 anos de trabalho nas questões relativas à pessoa com deficiência, hoje essa pessoa é reconhecida, o acesso aos meios de transporte, estudo, a ciência, via vacinação, que conseguiu reduzir o número de crianças que nascem com alguma deficiência, a adaptação de prédios públicos para o acesso ao cadeirante e às pessoas com outro tipo de deficiência, dentre outras mudanças.

Idari Alves ainda respondeu sobre a trajetória que trilhou para ser aceito como pessoa e ser humano, e ele explicou que foi difícil, até mesmo pelas condições sociais, uma vez que era “pobre” e por isso teve de trabalhar cedo. Ele atribuiu aos estudos o caminho pelo qual pessoas podem sair da condição de pobreza.

Outra pergunta foi o fato de considerar se hoje ser uma pessoa com deficiência é caro, ao que Idari explicou que a tecnologia que facilita a vida e ela se torna cara por não estar disponível a todos, tendo em vista as diferentes condições que cada um apresenta.

Fonte: Departamento de Comunicação (Emiliza Didier)

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