Os alunos do Parlamento Jovem Minas Uberlândia deram continuidade, na tarde desta quarta-feira (03), à dinâmica de elaboração das propostas de Lei para serem apresentadas e debatidas na Plenária Municipal, prevista para acontecer no Plenário da Câmara de Uberlândia no dia 1º de Julho. A atividade faz parte do cronograma da Escola do Legislativo para capacitar os alunos nas questões de cidadania e política em torno do tema central, que este ano é “Inclusão das Pessoas com Deficiência e Neurodivergentes”.
As coordenadoras da Escola, Kênia de Rezende e Claudelúcia Alves, conduziram os trabalhos de hoje. Esse é o segundo e último dia de confecção das ideias estruturadas, realizadas com o auxílio de monitores, que vistam o debate, votação e aprovação para se tornar lei.
Após o período de palestras e oficinas, os participantes do PJ passaram a trabalhar com os subtemas, que são elaborados para tratar, de forma mais abrangente, a temática central e atender, com efetividade, o público alvo. São eles: 'Enfrentamento ao capacitismo e à violência'; 'Direito à informação e à comunicação'; e 'Espaços acessíveis e ambientes inclusos'.
Kênia de Rezende disse que os alunos têm evoluído a cada encontro e que a interação entre eles contribui para esse resultado. Ela percebeu que na dinâmica passada, os alunos tiveram dificuldade, mas eles tiraram dúvidas com os monitores e com a equipe da Escola, o que tem facilitado a construção das propostas. Hoje, a dinâmica foi de rodízio: “semana passada os grupos que estavam nos Subtema 1,2 e 3, hoje estão revezando, estão trocando de subtema para todos fazerem as propostas dos três subtemas”, explicou.
O estudante do Colégio Batista, Pietro Tibaldi, que este ano repete a participação no PJ, disse que prefere o tema deste ano, uma vez que, como jovem, faz uso do transporte coletivo e o assunto da acessibilidade se torna mais presente no dia-a-dia. Sobre a elaboração das propostas de Lei, disse: “Agora é uma questão de aplicar a fórmula que eu aprendi no ano passado e tentar propor novas ideias para tentar consertar essas questões (que envolvem as pessoas com deficiência e neurodivergência)”.
Ana Júlia Andrade, aluna do 3º ano da Escola Estadual João Rezende, relatou que absorveu as informações passadas pelos palestrantes e adquiriu conhecimento para poder elaborar “tranquilamente” as propostas. Ela disse ser necessário “observar ao redor” e “pensar como sociedade” para poder discutir e colocar no papel as ideias. “Ter um olhar mais empático, olhar como se você tivesse naquele lugar, que é mais ou menos uma ideia de como é a vida daquela pessoa na sociedade e pensar o que seria bom para trazer para essas pessoas”, argumentou sobre as pessoas que precisam de inclusão.
Geovana Fonseca, aluna do 2º ano do Colégio Nacional, disse que as palestras e oficinas favoreceram o conhecimento e a oportunidade de “conversar com pessoas que realmente são Pcd’s, que realmente são neurodivergentes”, o que não acontece no ambiente escolar, uma vez que ali ainda existe a segregação entre as pessoas típicas e atípicas. “Mas o Parlamento Jovem me trouxe a chance de, realmente, conhecer várias pessoas e várias vidas que me trouxeram uma nova visão de mundo”, reconheceu.
A experiência dos monitores
Os monitores também relataram as experiências com os alunos na elaboração das propostas de lei nesta tarde (03).
Emily Lemes foi aluna do PJ em 2024 e 2025 e disse que a experiência que adquiriu no programa tem ajudado a orientar as alunas do PJ deste ano não cometer os mesmos erros de antes e a encaminhar as participantes para ter mais chantes de ter propostas aprovadas.
Um dos erros seria confundir justificativa como parte do texto da lei. “A justificativa é só para, lá na hora, as pessoas entenderem sobre do quê se trata a lei”, explicou. Sobre a Plenária em Julho, disse: “a plenária é sempre, para mim, a melhor parte do Parlamento. É um momento muito bom, é finalmente quando você pode expor tudo aquilo que você trabalhou o tempo todo aqui ... e a gente decide o que vai para frente e o que vai ficar”.
O estudante de Direito da UFU, Breno Henrique Isaías Oliveira, disse que os alunos têm prestado atenção “nos mínimos detalhes” na elaboração das propostas, atenção essa, que, segundo ele é resultado das abordagens das aulas anteriores que eles participaram e os estimularam a “pensar em coisas fora da caixa”, o que acaba por despertar os próprios monitores.
Uma ideia diferente que ele conferiu foi a pauta da inclusão das pessoas em espaços sociais e a percepção dos alunos de que não há guia para pessoas com deficiência nos shopping centers. “É algo que eu nunca tinha notado, nunca tinha parado para pensar e que elas me fizeram pensar e eu acho que isso que torna gratificante estar trabalhando com eles”.
O balanço desse trabalho com os jovens é positivo para Breno Oliveira: “eu tenho certeza que vão sair projetos excelentíssimos daqui, porque os meninos estão extremamente capacitados e engajados no tema”, afirmou o monitor.
No encontro da próxima quarta-feira, dia 10, os alunos devem participar de um ensaio para Plenária Municipal, com a participação da equipe do Polo Regional, sediado em Nova Ponte.
Fonte: Departamento de Comunicação (Emiliza Didier)